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Desesperadamente a procura de melhoramentos: Uma região sem recessão e com aumento na venda de carros precisa de uma logística melhor

SÃO PAULO, BRASIL, 20 de MAIO de 2010: O rápido crescimento está sendo dificultado por uma infra-estrutura antiquada e pela necessidade de planejamento a longo prazo, segundo os delegados na conferência de Logística Automotiva da América do Sul em São Paulo nesta semana. Os fabricantes OEMs tamb&eecute;m alertaram contra as condições de mão-de-obra restrita, e no caso de veículos acabados, os cartéis de fornecedores de logística que continuam representando um obstáculo ao desenvolvimento do setor automobilístico do país.

Apesar disto, havia um sentimento de animação com as fortes condições de mercado e expressões de otimismo quanto aos problemas poderem ser resolvidos.


Estas foram algumas das mensagens que surgiram nesta segunda conferência anual de Logística Automotiva na região. Dentre os delegados havia executivos dos fabricantes OEM, tais como a Renault, MAN Latin America, Ford, General Motors e Case New Holland, e também fornecedores tais como a Knorr Bremse Sistemas, mais os PSLs de todos os tipos, inclusive empresas como a TNT e a BMS.

Brasil, o quinto maior mercado do mundo de veículos novos, disparou na frente em 2009 e continua a alta velocidade este ano. Segundo Roberto Rodrigues, diretor geral da TNT Brasil, é provável que o crescimento do PNB anual do país seja de 3% de ano em ano entre 2009 e 2014.

Roberto Rodrigues, Diretor Geral – TNT

O Brasil é o país mais estável e maduro dos países do BRIC, disse ele. “É provável que o Brasil continue sendo o segundo maior mercado [entre os países do BRIC e atrás da China] em termos de vendas de carros de passageiro nos próximos quatro anos,” disse ele aos delegados da conferência. 

Edgard Pezzo, que recentemente sucedeu Johnny Saldhana como vice-presidente de compras e cadeia de fornecimento globais para a América do Sul na General Motors, acrescentou que os fabricantes de carros no Brasil deverão produzir 3,5 milhões de veículos este ano em comparação com 3 milhões de ve&itacute;culos no ano passado. A General Motors espera produzir até 650.000 ve´culos este ano no pa´s. De fato, estimulada pelos incentivos do governo e pelo crédito de fluxo livre, a produção brasileira de veículos subiu 19,6% nos primeiros quatro meses deste ano, chegando a mais de 1 milhão de unidades. “Este ano o crescimento está sendo rápido mesmo,” disse Pezzo.

A infra-estrutura causa dor, mas existe capacidade

Washington Flores Junior, Diretor Superintendente – Porto de Santos Brasil

Mas enquanto o mercado automotivo no Brasil se apresenta vivo comparado com a Europa ou os EUA, a indústria automotiva vê grandes riscos em consequência da infra-estrutura inadequada. Numa pesquisa eletrônica realizada pela equipe da Automotive Logistics, 53% dos delegados apontaram a infra-estrutura como representando o maior problema da logística na América do Sul.

Como foi o caso da conferência no ano passado, as estradas e portos do país foram vistos como representando as duas barreiras principais. Edson Foltran, um sócio da M&T Consulting, disse que os portos e a infra-estrutura não acompanharam o ritmo do crescimento.

O investimento do governo brasileiro em infra-estrutura está abaixo de 1% do PNB, em comparação com 4% no caso da China, disse Foltran aos delegados. “Mais precisa ser feito,” disse ele.  

Ainda assim, este ano os delegados parecem estar vendo a luz no final do túnel. Washington Flores Júnior, diretor superintendente do Porto de Santos no Brasil, comentou que as iniciativas privadas e governamentais têm ajudado a melhorar a infra-estrutura portuária do país. “Não há risco algum de um “apagão” em termos de capacidade portuária,” diz ele. Além disso, o porto de Santos – o maior para embarque de veículos – apresenta uma capacidade potencial de até 350.000 veículos por ano e com capacidade máxima até os dias de hoje de 115.000 veículos, disse ele.

A necessidade da reforma de mercado e mão-de-obra

Os oradores também tocaram no assunto da liberdade de mercado e problemas de mão-de-obra. Andre Perez, o diretor da cadeia de fornecimento da Renault para a região do Mercosul, insistiu que a legislação trabalhista no Brasil precisa ser revisada. “Há vezes que os sindicatos dizem que ninguém entra nem sai – isto é uma tolice e precisamos melhorar este relacionamento,” disse Perez. Os delegados também se queixaram das regras de impostos e da burocracia complexa que muitas vezes atrapalham a logística.

Além do que, os participantes da ind&uacue;stria também chamaram a atenção para o fato de que o segmento de veículos acabados no Brasil está sendo influenciado por uma espécie de cartel entre as empresas de transporte local. Embora as atividades de logística funcionem bem com estas empresas de transporte por caminhão, negociar preços melhores e modos alternativos de transporte &etilde; algo muito complexo, disseram os especialistas do setor.

Jack Severa, Gerente Geral da WWL

Os delegados falaram da necessidade de competir no mercado global. O Brasil precisa desenvolver um “plano de crescimento” para usar as forças privadas e públicas para evitar perder oportunidades de crescimento, disse Edison Molina, diretor de planejamento de material e logística da Ford. O setor automotivo do Brasil precisa se reunir com outros setores para criar e monitorar planos a longo prazo, concordou Stephan Gruener, diretor geral da BMS Logistica.

Mas no geral, a conferência estava transbordante de confiança depois do desempenho forte da economia brasileira e do setor automotivo em 2009. Jack Servera, gerente geral da Wallenius Wilhelmsen Logistics, disse que no começo do ano passado o desafio era como conseguir crescer, ao passo que este ano era como lidar com o crescimento.

“O Brasil não é um mercado emergente com potencial, é um mercado de verdade,” concluiu ele.