Conferência América do Sul: hibernando para voltar mais forte

  • Read this in
  • zh-hans
  • en

A queda acentuada do crescimento no Brasil nos últimos anos chegou ao mesmo tempo que um grande número de fabricantes têm investido ou expandido as operações no país. Entre os fabricantes de automóveis havia a Chery da China. Em 2010 ele estava montando uma onda de expansão no Brasil e um real forte favorável às importações. Isso a levou a investir cerca de $400 milhões para construir uma fábrica de 150.000 unidades de capacidade em Jacareí, no estado de São Paulo, que abriu em Setembro de 2014. Foi a primeira fábrica de montagem da montadora fora da China, exceto as fábricas de montagem para kits desmontados.

Desde então, “quase como uma piada, tudo mudou no mercado”, disse Orlando Moral, diretor de operações da Chery Brasil, falando na conferência Automotive Logistics South America em São Paulo

O Brasil está em seu terceiro ano de queda nas vendas de veículos, com quedas na produção de veículos leves até o momento para mais de 20% em comparação a 2014. Taxa de juros do banco central do Brasil (SELIC) aumentou de 8,65% em 2010 para 14,15% para combater a inflação alta. O real, por sua vez, caiu em mais da metade, de R$1,761 reais por dólar em 2010, para cerca de R$3,8 hoje.

Para Chery, a mudança nas condições econômicas posou riscos significativos para o seu modelo de negócios original. Por exemplo, somente a queda na moeda local pesa na base de custos da cadeia de fornecimentos da empresa, dado que iniciou suas operações com cerca de 70-75% de seu conteúdo importado da China.

“Você pode imaginar o impacto em um negócio. É enorme. Isto é o que está nos fazendo hibernar por um período”, disse Moral, que trabalhou anteriormente por cerca de 30 anos para o Grupo Volkswagen.

No entanto, apesar da desaceleração, a Chery continua a investir no Brasil, incluindo planos para localizar a produção de um modelo SUV atualizado e um Centro de P&D brasileira ao longo dos próximos dois anos. Enquanto isso, uma nova rede de cadeia de fornecimentos e logística tem sido uma estratégia importante para reduzir o desperdício e excesso de custos na produção e fornecimento. “É fundamental ter agilidade e criatividade para eliminar o desperdício e corrigir as rotas para sustentar o negócio”, disse Moral.

Re-projetando as linhas de abastecimento do Brasil

Moral descreveu como a Chery teve que rapidamente re-projetar suas peças de entrada e pegada de montagem. A Chery começou inicialmente a produção no Brasil com três operações: a fábrica principal de montagem de Jacareí; uma instalação separada nas proximidades sob divisão de motor e transmissão Acteco integralmente detida, que reuniu os motores a partir de peças importadas da China; e um armazém de peças na cidade de Salto com material armazenado de fornecedores brasileiros, a cerca de 180 quilômetros de distância. O material foi importado através do porto de Vitória, no estado do Espírito Santo, a 800 quilômetros da fábrica.

Esta estrutura foi em parte criada pelos benefícios fiscais e incentivos, inclusive do esquema Inovar-Auto do Brasil, o que deixa os impostos de importação mais elevados sobre veículos leves, mas os removem para as montadoras que atendam a critérios de produção e de investimento locais. No entanto, sob as atuais circunstâncias no Brasil, gerenciamento de sites separados não fazia mais sentido, mesmo com certos benefícios fiscais, disse Moral. A fábrica Acteco teve elevados custos de aluguel, de trabalho separado e uma quantidade significativa de inventário, por exemplo. Hoje, a Chery integrou o conjunto de motor e transmissão na principal fábrica da Chery em Jacareí, eliminando custos de aluguer, reduzindo o trabalho, bem como estoque e transporte.

Chery também fez uma série de outras alterações logísticas importantes, incluindo mudando suas fontes de importação para o porto de Santos no estado de São Paulo, o que permite mais rápido desembaraço aduaneiro e redução de custos de logística.

Chery também implementou a logística ainda mais enxutas e conceitos de produção que lhe permitiram retirar do armazém Salto, e permitirá construir novos modelos na mesma linha de montagem em Jacareí. Outras áreas de foco tem sido na gestão visual, qualificações de formação, os padrões de qualidade e procedimentos, e gestão ambiental. Moral disse que estas normas levaram a um bom ganho de produtividade global.

Embora os níveis de localização estejam atualmente em torno de 30%, a Chery planeja aumentar para 70% nos próximos dois anos, em parte através da introdução de um parque de fornecedores ao lado da fábrica. Moral espera que o parque incentivará a linha de fornecedores, incluindo os da China, perto de localizar a produção para a fábrica.

Para a logística, a Chery também terceirizou seu processamento na fábrica e as atividades de linha de alimentação para BMS – um empreendimento conjunto entre BLG e Mosolf – como um provedor de logística líder. Sua distribuição e gestão de pátios de veículos de saída é terceirizada para provedor de saída, Brasil.

Em um futuro próximo, a Chery vai assumir o controle de sua logística de entrada e implementar itinerários frequentes com paradas. Atualmente, as entregas para a fábrica são da responsabilidade dos fornecedores. “É normal iniciar neste caminho, mas pretendemos mudar isso. Temos que sair da crise um pouco antes e têm uma massa crítica de volume para que este plano possa ser viável em uma maneira moderna com itinerários frequentes com paradas”, disse Moral.

Moral acrescentou que, embora a Chery vá “hibernar” um pouco ao longo dos próximos dois anos, a empresa planeja voltar com força, aumentando e produção de 150.000 carros por ano até 2018, quando se espera chegar a quota de mercado de 3% no Brasil.

“Vamos tomar todas as medidas possíveis para sobreviver alguns anos até que a situação melhore. Nós temos que ser ágeis, criativos e eliminar perdas para sobreviver neste mercado em mudança”, concluiu.

Christopher Ludwig contribuiu para esta reportagem