México permanece forte diante da adversidade

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O México mantém sua posição como um dos dez principais fabricantes e exportadores mundiais de automóveis, apesar de vários desafios, incluindo o novo Acordo Estados Unidos-México-Canadá (USMCA), a ocorrência de eventos climáticos severos e  a situação de segurança doméstica piorando.

Eduardo Solis, presidente executivo da Asociación Mexicana da Industria Automotriz (AMIA), disse aos delegados na semana passada na conferência Automotive Logistics Mexico que a indústria havia aumentado significativamente e agora representava 20,2% do PIB, perdendo apenas para a indústria de alimentos com 20,7%. Ele disse que a receita líquida para a indústria automotiva no México deve superar os $77 milhões.

A economia em geral também está experimentando crescimento, segundo Daniel Chiquiar, diretor de pesquisa do Banco de México, apesar de enfrentar uma série de dificuldades desde 2014, incluindo preços mais baixos do petróleo, menos financiamento externo, desaceleração econômica global e incerteza sobre o livre comércio.

O México é atualmente o sétimo maior fabricante de automóveis do mundo e o maior produtor da América Latina, com pouco mais de 4 milhões de veículos fabricados no ano passado. Mais de 80% dos veículos são exportados e o país é o quarto maior exportador de automóveis do mundo.

No entanto, enquanto as exportações aumentaram 6% em 2018, a produção ficou estável. Solis disse que isso se deveu em parte a uma enchente que atingiu a região de Bajio, que obrigou algumas plantas fecharem temporariamente. A Honda, por exemplo, não conseguiu produzir veículos entre o final de junho e novembro, depois que sua fábrica de Celaya foi inundada e o material de entrada não pôde ser descarregado.

Crime em ascensão 

Além disso, os problemas crônicos do México em termos de agitação civil e altas taxas de criminalidade, incluindo vandalismo, roubo de combustível e roubo de veículos, estão piorando nos últimos anos, como confirmaram vários palestrantes da conferência.

Carlos Jiménez, diretor para assuntos ligados a danos de carros e transportes na Associação Mexicana de Instituições de Seguros (AMIS), disse que de 2012 a 2018, houve “um grande aumento” de roubo dos veículos, inclusive durante o transporte. Indicando a escala do problema, Jiménez apontou que os 93 mil veículos foram registrados nas seguradoras como roubados nos últimos 12 meses representando apenas uma fração do volume real, já que apenas 30% dos veículos no México estavam realmente assegurados.

Enquanto isso, os bloqueios de professores não remunerados causaram interrupção dos serviços ferroviários, mais recentemente em janeiro. Solis da AMIA disse que no estado de Michoacán, 280 trens, 10.000 contêineres e 14.000 veículos recém-fabricados foram deixados nos trilhos, impossibilitados de chegar ao seu destino. Ao mesmo tempo, as empresas de logística tiveram que lidar com a escassez de combustível para seus caminhões depois que o governo fechou grandes tubulações em um esforço de impedir que os criminosos as usassem..

Novos requisitos do livre comércio

Além desses distúrbios internos, a indústria automotiva aguarda a finalização do USMCA, que foi provisoriamente acordado em outubro do ano passado. O acordo, conhecido como T-Mec no México, ainda precisa ser ratificado pelos governos de todos os três países da América do Norte, com muitos detalhes ainda por serem escritos.

A exigência de 62,5% de conteúdo local em veículos sob o Acordo de Livre Comércio da América do Norte (Nafta) foi dividido em várias regras diferentes no novo acordo, causando problemas de conformidade potencialmente onerosos. Solis chamou as novas regras de origem de “complexas” e “robustas”, observando que as operações de montagem “terão que trabalhar diligentemente” para atender aos critérios adicionais para evitar tarifas.

Para veículos leves, os componentes principais devem ter 75% de conteúdo de valor regional (RVC), peças principais devem chegar a 70% e peças complementares 65% (para veículos pesados, componentes principais devem ter 70% RVC, enquanto peças complementares devem ter 60%). O aço e o alumínio usados devem ser 70% da América do Norte e 40% dos veículos devem ser feitos por trabalhadores que ganham pelo menos US$ 16 por hora.

Eduardo Solis, executive president of the Asociación Mexicana de la Industria Automotriz (AMIA)

Eduardo Solis: O México precisa de um mecanismo “ágil e simples” para calcular os níveis de conteúdo local

Solis solicitou o desenvolvimento de “um mecanismo ágil e simples” para calcular os níveis de conteúdo local, para os exportadores e importadores, bem como para os fabricantes. Ele disse que o governo mexicano tem se reunido com representantes de suas várias indústrias de fabricação para obter suas perspectivas, e que os EUA estão fazendo o mesmo. Agora que o governo dos EUA estava funcionando novamente após o fechamento de seu registro devido a uma disputa orçamentária, os últimos detalhes poderiam ser formalizados neste verão, sugeriu Solis.

Apesar desses desafios significativos tanto na modalidade, doméstica como internacional, há um sentimento de confiança entre os líderes empresariais e funcionários do governo no México. O Banco do México prevê um crescimento adicional, ainda que modesto, nos próximos anos: 1,7-2,7% em 2019 e 2-3% em 2020.